Vereadora manifesta preocupação com aumento da violência contra as mulheres
Durante a 59ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Piracicaba, realizada na noite desta quinta-feira (16), a vereadora Rai de Almeida (PT) utilizou o tempo de fala no Expediente para abordar o aumento dos casos de violência contra a mulher no Brasil, com ênfase nas agressões de natureza sexual. A parlamentar citou dados recentes do Mapa da Violência Contra a Mulher 2025, que apontam 718 casos de feminicídio registrados entre janeiro e junho deste ano e 33.999 estupros no mesmo período — o equivalente a 187 casos por dia, ou um a cada 12 horas.
Segundo Rai, os números revelam um quadro “bastante preocupante” e refletem a dificuldade enfrentada por mulheres para denunciar crimes dessa natureza. “O medo, a vergonha, a insegurança de ser julgada e o constrangimento perante parentes, amigos e até autoridades fazem com que muitas mulheres deixem de registrar a ocorrência”, afirmou. A vereadora destacou que a violência sexual é uma das formas mais cruéis de agressão, “porque representa a apropriação do corpo da mulher, o que lhe pertence de mais íntimo”.
Durante sua fala, a parlamentar também comentou sobre o caso de denúncia de assédio sexual contra um vereador do PL, que está preso temporariamente. Rai criticou a atitude de defensores do parlamentar, que, segundo ela, teriam ido até a Delegacia da Mulher nesta semana e filmado mulheres presentes no local. “A Delegacia da Mulher é um espaço de segurança para acolher possíveis vítimas, e o que aconteceu foi uma invasão simbólica desse espaço, com a exposição pública de mulheres que já se encontravam em situação de vulnerabilidade”, afirmou.
A vereadora ressaltou que o episódio teria ocorrido na última terça-feira, no fim da tarde, momento em que a delegacia — que agora funciona 24 horas — estava atendendo mulheres em busca de orientação. “Essas pessoas chegaram com câmeras de celular ligadas, filmando mulheres que estavam lá para denunciar ou buscar ajuda. Isso é inaceitável”, disse.
Ao encerrar sua fala, Rai de Almeida expressou solidariedade às mulheres envolvidas e à delegada responsável, e reafirmou o compromisso da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara com a defesa dos direitos femininos. “A Delegacia da Mulher deve ser um espaço seguro, e o que ocorreu foi uma violação da segurança das vítimas e das profissionais que ali trabalham. É inadmissível que isso aconteça”, concluiu.