Vereadora comenta sobre operação “Carbono Oculto”
Na Tribuna da Câmara Municipal de Piracicaba, a vereadora Rai de Almeida (PT) comentou sobre a deflagração da operação “Carbono Oculto” pela Receita Federal, Ministério Público Federal, Estadual, Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, entre outros órgãos, na semana passada. A parlamentar salientou que a investigação revelou a ação de facção criminosa em grandes empresas, com controle de cadeia de produção e distribuição de combustíveis.
“Essa operação é de grande envergadura e teve um resultado extremamente positivo, utilizando-se da inteligência artificial, chegou no comando de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e crimes financeiros”, avaliou. “O grupo controlava mais de mil postos de combustíveis, que movimentaram cerca de R$ 52 bilhões entre os anos 2020 e 2024. Eles também usavam metanol de forma irregular para adulterar os combustíveis, causando fraudes fiscais de bilhões de reais”.
A vereadora citou ainda que a organização se infiltrou na avenida Faria Lima, em São Paulo. “Não é na favela, não é na periferia que está o crime organizado, está na Faria Lima, o coração financeiro de São Paulo, usando as fintechs como um banco paralelo para movimentar dinheiro, gerindo cerca de 40 fundos de investimento, que possuíam mais de 30 bilhões em patrimônio”.
Rai de Almeida ainda falou sobre os bloqueios de bens e valores resultantes da operação e também o cumprimento dos mandados de prisão. “A investigação aponta que o grupo criminoso movimentou de forma ilícita cerca de R$ 140 bilhões”, colocou. “Inclusive, tem o governador do Estado de São Paulo, que teve a sua campanha financiada por uma pecuarista chamada Maribel Chimides Golim, que doou R$ 500 mil para a campanha e está sendo investigada como laranja no esquema de lavagem”.
Falou também sobre as mudanças resultantes da operação, especialmente no controle das fintechs. “E agora o governo federal equiparou o tratamento, dando às autoridades ferramentas para fiscalizar as operações e combater crimes, como a evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Esta é uma operação inédita no Brasil e isso é combater o crime organizado, isso é combater o crime de sonegação fiscal e tantas outras ações deletérias para o nosso país”, avaliou.
Citou também a inteligência da operação, realizada sem ações de violência e com uso da tecnologia. “Diferente que tem acontecido em grande medida no Brasil, mata-se aquele menino que está lá na periferia, que serve de mula do grande capital e esses meninos jovens, especialmente os meninos negros, são assassinados. Esta operação foi no coração do esquema montado no Brasil”, comparou.