Piracicaba violenta. O Lado Sombrio da “Noiva da Colina”

Por: Rai de Almeida Em: 24 de fevereiro de 2026

Conhecida por seu potencial econômico e pelo charme do Rio Piracicaba, a cidade de Piracicaba enfrenta uma realidade desconfortável em 2026. Dados recentes de letalidade da polícia, medidas protetivas para as mulheres, trânsito e proteção animal revelam que a violência no município é multifacetada e exige atenção urgente das autoridades e da sociedade civil.

Piracicaba consolidou-se em uma posição alarmante. É a cidade com a maior taxa de mortes no trânsito por habitante no estado de São Paulo. No fechamento de 2025, o município registrou cerca de 17 óbitos para cada 100 mil habitantes, superando metrópoles muito maiores como Campinas e Guarulhos. Ao todo foram 74 mortes no trânsito da cidade no ano passado.

Os motociclistas são o grupo de maior risco, representando cerca de 52% das vidas perdidas. A maioria das vítimas são homens, e os acidentes fatais concentram-se majoritariamente nos finais de semana.

Especialistas apontam que o problema não é apenas comportamento individual, mas estrutural. Embora o número de radares tenha aumentado em rodovias como a SP-304 e SP-135, a sinalização urbana e a fiscalização de embriaguez ao volante ainda são gargalos críticos.

Enquanto o estado de São Paulo bateu recordes de feminicídio em 2025, Piracicaba vive um cenário de "explosão" nas denúncias e pedidos de socorro. O número de medidas protetivas de urgência concedidas a mulheres vítimas de violência teve um aumento de 14,8% em Piracicaba (SP). É o que aponta um levantamento feito pela Patrulha Maria da Penha, da Guarda Civil Metropolitana da cidade. O número passou de 887 em todo o ano de 2024 para 1.018 até outubro de 2025. Isso reflete tanto o aumento da violência quanto a maior coragem das mulheres em denunciar, apoiadas pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) 24h e pelo uso do "Botão do Pânico".

A Letalidade policial em Piracicaba foi manchete dos jornais nos últimos dias. A cidade aparece no topo do ranking das cidades do interior com 40 mortes, perdendo apenas para a cidade de São Paulo com 57 mortes causadas por policiais.

Enquanto a corporação defende que as mortes ocorrem em legítima defesa durante o combate ao crime organizado e roubo de veículos, movimentos de direitos humanos questionam o uso da força desproporcional em bairros periféricos. Pesquisadores destacam que a gestão de tropas especializadas precisa ser concomitante com medidas de proteção à vida.

De outro lado a crueldade com animais. Há inúmeras situações, desde acumuladores de animais que não têm condições de cuidar deles, até atos de violência extrema. O abandono de animais é visível, apesar de não haver dados sobre o assunto.

Esta semana, um filhote de cavalo foi resgatado em estado grave após ser encontrado abandonado em um terreno baldio. A lei prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem praticar atos de abuso ou maus-tratos contra animais.

A "Piracicaba violenta" não se resume a um único índice. Ela está na imprudência do asfalto, no medo dentro de casa, na bala do confronto e no sofrimento silencioso dos animais. O topo do ranking de mortes no trânsito e o recorde de medidas protetivas mostram que a cidade cresceu, mas suas políticas de proteção à vida ainda precisam de um salto de qualidade.

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