O Meio Ambiente não cabe só no 05 de junho
O mês de junho iniciou-se, no último domingo (01) com manifestantes nas ruas em 8 capitais brasileiras. O motivo que mobilizou as pessoas a irem às ruas foi a aprovação, no Senado, do Projeto de Lei 2159/2021 – nomeado por ambientalistas como: “PL da Devastação” e “mãe de todas as boiadas”. Tal Projeto de Lei tem por intenção clara simplificar e flexibilizar o licenciamento ambiental, o que – segundo a comunidade científica e ambientalistas – evidencia um retrocesso enorme e traz grandes riscos ao patrimônio verde brasileiro. A segunda manifestação do dia foi em defesa da Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima – Marina Silva – que sofreu ataques machistas e misóginos no Senado, em sessão no dia 27 de maio. “Fui agredida fazendo meu trabalho” – disse. Meio Ambiente, ataques, pessoas e educação: será que devemos falar mais sobre isso?
Nesse sentido, vale lembrar que o dia 03 de junho é o “Dia Nacional da Educação Ambiental” – sendo uma ótima oportunidade para refletirmos sobre o que já conquistamos na defesa do Meio Ambiente e o quanto precisamos sempre estar “atentos e fortes”, bem informados e com o olhar crítico em relação aos impactos de nossas ações hoje e amanhã. Afinal, tanto a Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA, Lei n° 9.795, de 1999 – quanto a Lei n° 12.780 – de 30 de 2007, a Política Estadual de Educação Ambiental (PEEA) – trazem a Educação Ambiental como o entendimento de processos permanentes de conhecimentos, competências, valores e atitudes voltadas à conservação do Meio Ambiente – sendo portanto a educação ambiental um caminho fundamental nessa luta.
Em se trantando de Meio Ambiente e educação ambiental, é importante lembrar que o meio ambiente é a casa comum de todos nós e, bem por isso, as decisões sobre ele devem ser coletivas, bem pensadas e discutidas amplamente, visando o que é essencial e inegociável – a qualidade de vida de todos que compartilham desta casa. Assim, é necessário, coletivamente, conhecer e proteger todas as legislações anteriores, vindas de encontros internacionais que abordam o direito ao meio ambiente e evidenciam a necessidade da participação popular – o que nos leva então a pensarmos se aqui em Piracicaba também não temos questões ambientais mal discutidas e mal esclarecidas junto à população.
Por assim ser, cumpre apontar que se o “Dia Mundial do Meio Ambiente” – instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972, com o objetivo de promover ações e conscientização sobre a importância da preservação ambiental – é data marcada por ações pontuais de empresas e instituições, fato é que pouco ainda se faz de efetivo para que as pessoas refleitam e entendam porque é necessário um dia específico para falar de algo tão precioso. Quer dizer, não basta uma data. É preciso investir numa Educação Ambiental capaz de trazer clareza e pensamento crítico sob uma visão de mundo que não separe o social do ambiental, onde mudanças individuais sejam (sim) feitas, mas que isso não esconda a necessidade de mudanças grandes em nível municipal, estadual, nacional e, por fim, global.
Estamos falando de algo que salvará ou sentenciará a todos nós – e a educação ambiental é ferramenta necessária para proporcionar diálogos, conhecimento e fomentar ações e debate político, buscando soluções para o enfrentamento dessas questões. Portanto, diante da emergência das mudanças do clima, das questões que tangem os direitos humanos e as desigualdades sociais é preciso mais do que nunca se investir em educação. É por meio dela que faremos com que o humano e o meio ambiente sejam respeitados – diminuindo desta forma todo tipo de violência, sejam as de gênero, política ou socioambiental.