Contradições do Outubro Rosa
A Campanha Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. A data, celebrada anualmente, tem o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade e salvar vida de mulheres.
É um tema muito importante para a saúde da mulher. Mas segundo matéria da Agência Brasil, o Atlas da Radiologia no Brasil, do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), demonstra que o acesso aos mamógrafos ainda é um desafio.
O país tem 6.826 equipamentos registrados, sendo 96% em funcionamento. Metade deles está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por atender 75% da população. Isso equivale a 2,13 mamógrafos por 100 mil habitantes dependentes do SUS.
Na saúde suplementar, que cobre 25% da população, o cenário é mais favorável: 6,54 aparelhos por 100 mil beneficiárias, quase o triplo da rede pública.
O Brasil tem uma cobertura muito baixa de mamografias: 24%. O ideal recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 70%. Mesmo em lugares como o estado de São Paulo, que tem a maior concentração de mamógrafos do país, a taxa gira em torno de 26%.
Em setembro, o Ministério da Saúde ampliou as diretrizes de rastreamento, recomendando que mulheres entre 40 e 49 anos realizem mamografias, mesmo sem sintomas. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Imca), mais de 73 mil mulheres recebem o diagnóstico de câncer de mama anualmente no Brasil.
Segundo a coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia do CBR, Ivie Braga de Paula, no caso de diagnóstico de um câncer de mama com menos de 1 cm, a chance de cura é de 95% em cinco anos, independentemente se ele é do tipo mais agressivo.
A informação publicada pela imprensa é assustadora. O câncer de mama lidera os diagnósticos, com alta de 45% entre 2013 e 2024 e mais de 22 mil novos casos anuais de mulheres de até 50 anos registrados no SUS.
O diagnóstico precoce é sinônimo de vida, de menos sofrimento para as mulheres e suas famílias. Em Piracicaba o cenário também é preocupante. De acordo com a resposta da prefeitura ao nosso requerimento, há 308 mulheres na fila de espera por mamografia, já para exames de ultrassom (segunda etapa do diagnóstico), há 2393 mulheres na fila de espera do SUS. Em muitos casos, esse exame complementar é imprescindível para o diagnóstico assertivo da doença.
Perguntado sobre como resolver a fila do ultrassom, o Executivo Municipal respondeu que “uma das prioridades dessa gestão tem sido reduzir e eliminar quando possível a fila por exames”. Quando será que não teremos mais fila para a realização de exame de ultrassom?
Recentemente, a Bancada Feminista, mandato coletivo formado por cinco mulheres negras do PSOL enviou emenda de R$ 300 mil para Piracicaba para a realização de exames de mamografia. Depois em reunião na Secretaria Municipal de Saúde, a bancada foi informada de que o recurso seria melhor aproveitado para a realização de ultrassons. Pela resposta dada ao nosso requerimento, aparentemente, a Prefeitura não está aproveitando os recursos da emenda para tal finalidade.
Não basta fazer campanha de conscientização sobre o câncer de mama. As mulheres precisam que o poder público atenda a demanda, rapidamente. O diagnóstico precoce salva vidas. Continuaremos cobrando.