Mortes no Trânsito em Piracicaba: um cenário preocupante

Por: Rai de Almeida Em: 1 de outubro de 2025

Os dados mais recentes sobre mortes no trânsito em Piracicaba indicam um cenário de alta letalidade, colocando o município em posições de destaque negativo no estado de São Paulo em termos de taxa de óbitos por 100 mil habitantes. As estatísticas oficiais, frequentemente divulgadas pela plataforma Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito), do Detran-SP, revelam a gravidade da situação.

Em levantamentos recentes, Piracicaba tem figurado entre as cidades do estado de São Paulo com a maior taxa de mortes no trânsito por habitante. Em março de 2025, por exemplo, o município chegou a liderar o ranking com uma taxa de 17,79 óbitos a cada 100 mil habitantes, superando outras cidades populosas. Houve um aumento no número absoluto de mortes. Em 2024, a cidade registrou 74 vidas perdidas em acidentes viários, um crescimento de 25% em relação a 2023 (que teve 59 mortes).

Os dados mostram que os motociclistas e pedestres são as vítimas mais frequentes dos acidentes fatais. Motociclistas, em particular, representam consistentemente uma grande parcela dos óbitos. Infelizmente na noite desta segunda-feira, 29/09, mais duas pessoas morreram vítimas de acidente de moto, desta vez, na Avenida Dona Francisca, na Vila Rezende. A maioria das vítimas é do sexo masculino. As faixas etárias de jovens adultos (como entre 20 e 24, e 30 a 39 anos) frequentemente concentram o maior número de fatalidades. Os finais de semana (principalmente no período noturno e nas madrugadas de sexta, sábado e domingo) registram a maior concentração de mortes.

Diante do cenário alarmante, é preciso intensificar campanhas de educação no trânsito, uma investigação pelo sistema de resgate e no atendimento médico sobre as causas dos acidentes. É preciso ainda intensificar a sinalização de trânsito e fiscalização. Ações de intervenção, pequenas remodelações em pontos críticos de acidentes, e a manutenção/melhoria na sinalização vertical e horizontal das vias municipais são necessárias.

Entretanto, os altos índices de acidentes e mortes no trânsito em Piracicaba não se devem a um único fator, mas sim a uma combinação complexa de comportamento humano, características viárias e fiscalização. O comportamento dos condutores e pedestres é, de longe, o principal motor dos acidentes fatais. A velocidade excessiva é um fator de risco constante. O excesso de velocidade diminui o tempo de reação, aumenta a distância de frenagem e potencializa a gravidade da colisão, sendo um dos maiores responsáveis pelas mortes.

A combinação de bebida alcoólica com a condução de veículos é um fator frequente e grave em acidentes, especialmente nos finais de semana e durante a noite. O álcool compromete a capacidade de julgamento e os reflexos. A imprudência e desatenção como manobras arriscadas, desrespeito à sinalização e o uso de celular ao volante (distração) contribuem para a ocorrência de sinistros. Saúde Mental e estresse, embora menos óbvios, podem afetar a concentração e a paciência dos motoristas, elevando o risco de acidentes, inclusive nos percursos diários de trabalho. Sobre este último aspecto vale um estudo mais profundo.

A relação entre saúde mental, estresse e acidentes de trânsito é profunda e bidirecional: a condição psicológica do condutor pode ser um fator de risco para acidentes, e o acidente em si é um evento altamente traumático com sérias consequências para a saúde mental. O trânsito caótico, especialmente em grandes cidades, é uma fonte constante de estresse e ansiedade. Essa exposição diária e contínua a gatilhos emocionais impacta diretamente o comportamento ao volante

O estresse crônico (e agudo) eleva os níveis de hormônios como o cortisol e a adrenalina, colocando o organismo em estado constante de "luta ou fuga". Esse estado de alerta contínuo reduz a tolerância à frustração e afeta funções cognitivas essenciais para dirigir, como a atenção, a concentração e a tomada de decisão rápida e segura. Emoções negativas como raiva, frustração e impaciência levam a comportamentos impulsivos e agressivos (agressividade no trânsito), como ultrapassagens perigosas e desnecessárias, desrespeito às regras de trânsito (sinais, limites de velocidade), uso abusivo de buzina e discussões com outros motoristas.

Pressa e velocidade excessiva, que são agravantes do estresse e, consequentemente, também aumentam o risco de acidentes. Condições como ansiedade e depressão podem ser agravadas pela rotina do trânsito ou mesmo desenvolvidas em decorrência dela. Esses transtornos afetam o foco e podem levar à distração e à lentidão na reação, aumentando significativamente a propensão a acidentes.

Em suma, a segurança no trânsito é uma questão que envolve não apenas o cumprimento das leis e a manutenção veicular, mas também o bem-estar emocional e psicológico de todos os usuários das vias. E é preciso que o poder público atente urgentemente para essa questão, buscando meio de possibilitar uma melhor qualidade de vida, viabilizando campanhas pela paz no trânsito e atuando estrategicamente para que o trânsito na cidade flua e maneira mais eficiente e menos danosa.

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