Amamentação Negra: enfrentando barreiras, celebrando a força

Por: Rai de Almeida Em: 22 de setembro de 2025

A amamentação é um ato de nutrição, conexão e amor. Para muitas mulheres, é um período de grande alegria e realização. No entanto, para as mulheres negras essa jornada pode ser marcada por desafios e barreiras únicas – enraizadas em uma história de opressão e desigualdade. A amamentação negra, embora um ato profundamente natural e vital, enfrenta obstáculos que precisam ser discutidos e superados para garantir que todas as mães e bebês tenham o suporte necessário para prosperar.

A história da escravidão criou um legado de trauma que ainda hoje afeta a amamentação. Mulheres negras escravizadas eram frequentemente forçadas a amamentar os filhos de seus opressores, enquanto seus próprios filhos eram privados do leite materno ou tinham seus períodos de amamentação drasticamente reduzidos. Essa prática cruel rompeu o vínculo sagrado entre mãe e filho e criou uma desconfiança histórica em relação ao sistema de saúde e à amamentação.

Estatísticas mostram que as mulheres negras têm taxas de início e duração da amamentação significativamente mais baixas do que as mulheres brancas. Isso não se deve a uma falta de desejo ou capacidade, mas sim a barreiras sistêmicas. O estigma associado à amamentação em público ou a mitos sobre a composição do leite materno podem também ser obstáculos. Também, muitas vezes as mães negras não encontram profissionais de saúde que entendam suas realidades, desafios e histórico. A falta de representatividade entre consultoras de lactação, enfermeiras e médicos pode levar a um atendimento menos empático e eficaz.

Além dos desafios históricos, as disparidades socioeconômicas também desempenham um papel crucial. Muitas mães negras trabalham em empregos que não oferecem licença-maternidade remunerada adequada, pausas para amamentação ou locais seguros e reservados para extrair leite. Essa falta de apoio no ambiente de trabalho torna a amamentação exclusiva uma tarefa quase impossível. A falta de seguro de saúde ou acesso a cuidados de saúde de qualidade significa que muitas mulheres negras não recebem o aconselhamento pré-natal necessário sobre amamentação ou suporte pós-parto de profissionais.

Apesar dessas barreiras, a resiliência e a força das mulheres negras continuam a brilhar. O movimento das doulas, consultoras de lactação e ativistas negras está crescendo e criando espaços seguros e de apoio para mães e bebês. Iniciativas lideradas por mulheres negras são essenciais para compartilhar histórias e informações que desmistificam a amamentação e abordam os desafios de forma honesta.

Grupos de apoio, tanto online quanto presenciais, em que as mães negras podem se conectar, compartilhar experiências e receber encorajamento. No mesmo sentido, importa lutar por leis que garantam licença-maternidade remunerada, locais de trabalho favoráveis à amamentação e acesso universal a consultoras de lactação. Necessário também se faz incentivar mais mulheres negras a se tornarem profissionais de saúde e consultoras de lactação, para que as mães possam ser atendidas por pessoas que entendem suas realidades.

Afinal, a amamentação negra é um ato de empoderamento, resistência e cura. Ao reconhecer e enfrentar os desafios históricos e sistêmicos, podemos criar um futuro no qual todas as mães negras se sintam apoiadas, valorizadas e capacitadas para nutrir seus bebês da forma que desejarem. A jornada pode ser difícil, mas o apoio da comunidade, a educação e a persistência podem transformá-la em um caminho de triunfo e saúde para as futuras gerações.

Rai de Almeida é vereadora.

Isely Gusmão é enfermeira e coordenadora da Vigilância Epidemiológica.

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