A Cultura ainda espera
O prefeito Luciano Almeida ainda não demonstrou a que veio nem por que pleiteou o cargo maior de nosso executivo municipal. Em vias de completar dois anos de mandato, a gestão Luciano ainda deixa a desejar em quase todas as áreas – especialmente nas da saúde, da assistência social, na urbanização, em questões administrativas básicas e, claro, na cultura.
Na saúde, como bem sabe a população, faltam médicos, faltam atendimentos, faltam exames (isso sem contar o vexame da contratação da OSS que levou mais de sete milhões dos cofres públicos e deixou os cidadãos e cidadãs sem atendimento). Nesse sentido, vale lembrar que as licitações da Prefeitura, em quase todas as áreas, não funcionam (raras são as licitações importantes realizadas, cabendo destacar os fracassos no transporte público e na zona azul).
Na assistência social, as alterações nos programas desguarneceram os mais carentes – como o fechamento do albergue noturno, a alteração de funcionamento da Casa de Passagem e, agora, o fechamento dos Case – alterações essas que, via de regra, foram anunciadas falaciosamente como “melhorias” ou “ampliações” dos serviços. Na mesma trilha, as comunidades periféricas estão praticamente abandonadas. Abandonadas estão também as regiões mais centrais de Piracicaba – há mato alto por todos os lados, faltam zelo e carinho. A olhos vistos, a cidade está mal cuidada.
Ao que pese a feliz aprovação do bom projeto “Bolsa Esportiva”, os projetos enviados à Câmara não costumam dialogar com a realidade local e propõem centralizações pouco democráticas voltadas a gerar mais poder ao Executivo – como foi o caso do projeto de propunha alterações no Semae e que, na Câmara, foi felizmente derrotado pelo expressivo placar de 18 a 3. Talvez temendo novo vexame, o próprio Executivo retirou de pauta outro projeto absurdo que previa, em apenas uma página e meia de texto, uma imensa lista de concessões que iam do Engenho Central ao Cemitério da Saudade!
Dentre tantos desastres, a ingerência na Semac é – por fim – tão explícita que chega a chocar. Inúmeros são os problemas nessa seara. Não temos mais uma Pinacoteca (cujo prédio histórico foi fechado após um ano e meio da luta que arduamente travamos pela sua manutenção). A contrapartida do Executivo para tal fechamento, claro, ainda não se deu – e não temos qualquer indício da prometida “nova” Pinacoteca (aliás, o prazo de entrega dessa “nova” Pinacoteca já se esgotou há tempos).
Parte do mesmo problema, o acervo da Pinacoteca está hoje abarrotado numa sala do Teatro do Engenho – onde, inclusive, há goteiras. Para além disso, Piracicaba perdeu o seu “Espaço do Samba” – fechado por esta gestão. Não temos mais o Observatório – fechado por esta gestão. Não há programas de cultura nos bairros – também interrompidos. E não temos mais, desde o início deste semestre (pasme-se!), sequer um secretário de cultura efetivo e nomeado.
No país do esperançar, todavia importa não perdermos a esperança de que esse quadro terrível se altere – e que a Prefeitura comece a mostrar que é capaz de dar a cidade a gestão que ela merece. Aliás, um excelente indicativo de uma hipotética boa-vontade seria o Prefeito conduzir à SEMAC alguém que consiga minimamente estabelecer um diálogo fraterno com artistas e fazedores de cultura, que saiba respeitar o que Plano Municipal de Cultura prevê e que, se não for pedir muito, goste de cultura e dedique-se a ela.
É tempo de a esperança virar realidade, senhor Prefeito. Piracicaba e a cultura piracicabana merecem.
Rai de Almeida é vereadora.