Vereadores questionam transferência de professores do esporte para a educação

A transferência de dez professores de Educação Física lotados na Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras (Selam) para a Secretaria Municipal de Educação foi tema de requerimento e de falas de vereadores na tribuna da 34ª Reunião Ordinária, realizada na noite desta segunda-feira (15).

No requerimento 654/2026 — assinado pelas vereadoras Rai de Almeida (PT) e Silvia Morales (PV), do mandato coletivo "A Cidade é Sua", e pelos vereadores André Bandeira (PSDB), Laércio Trevisan Jr. (PL), Marco Bicheiro (PSDB) e Felipe Gema (Solidariedade) —, os parlamentares apontam que a ciência da transferência aos professores se deu por meio de um comunicado oficial, “sem qualquer diálogo anterior que justificasse a atitude”.

Eles ainda trazem que o referido comunicado sustenta que a transferência “decorre de uma solicitação da Secretaria Municipal de Educação e de que houve redução significativa da demanda de atendimento e interessados nas aulas das modalidades esportivas pela Secretaria de Esporte, Lazer e Atividades Motoras”.

Os vereadores, no entanto, contestam no requerimento essa afirmação: “nos chegam informações de que há filas de espera para diversas modalidades até então oferecidas à população nas unidades esportivas do município. A retirada desses profissionais poderá resultar na redução ou interrupção de atividades esportivas e de promoção da qualidade de vida desenvolvidas nos bairros do município, afetando diretamente centenas de alunos e frequentadores dos programas públicos. Não há qualquer informação sobre como a população até então usuária dos serviços desses profissionais será atendida a partir de agora”.

Os parlamentares que assinam o requerimento também alegam que a maioria dos profissionais transferidos prestaram concurso para exercerem suas funções junto à Selam, e não junto à Secretaria de Educação, e que “grande parte dos dez profissionais são especialistas e atuam em áreas esportivas que não correspondem às atividades esportivas administradas no ambiente escolar”.

Eles reportam que os professores desenvolvem atividades fundamentais em diferentes regiões da cidade, atendendo crianças, jovens, adultos e idosos por meio de modalidades e programas esportivos como ginástica localizada, ritmos, coreografias, voleibol, futsal, futebol de campo, pilates, fortalecimento muscular, alongamento, treinamento funcional, condicionamento físico, vôlei adaptado, handebol, corrida e caminhada orientada, vôlei adulto e atividades junto à Estação do Idoso.

O requerimento busca então saber junto à prefeitura quantas pessoas estão matriculadas e em quais modalidades esportivas ministradas por esses profissionais, além de solicitar relatório oficial sobre a falta de demanda das modalidades administradas por esses profissionais.

Também é pedida a apresentação de relatório da Secretaria de Educação demonstrando a necessidade desses profissionais e em quais escolas, “incluindo o pedido formal da Secretaria junto à Selam”, além de serem questionados quais critérios foram adotados para a escolha desses dez profissionais, “tendo em vista que a Selam mantém mais de 30 professores de Educação Física em seu quadro de servidores”.

Há ainda questionamentos acerca das razões de a Secretaria Municipal de Educação não lançar concurso público para a contratação de profissionais de Educação Física para atender a sua demanda, bem como sobre como a população usuária será avisada da interrupção dos serviços prestados pela Selam por meio dos profissionais transferidos.

Eles também indagam como a Selam fará para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelos profissionais transferidos para a Secretaria de Educação.

Tribuna - O requerimento foi debatido por vereadores na tribuna da 34ª Reunião Ordinária.

“Por que o prefeito não chama concurso público, ao invés de desmontar um serviço que já é prestado e que é um benefício para a população? Eu, sinceramente, tenho as minhas análises e as minhas dúvidas com relação a essa questão. Mas, para mim, esse prefeito, o Helinho Zanatta, tem um projeto que é o desmonte das políticas públicas que vêm atendendo a população. E é desumana a forma como estão sendo tratados os professores; é desumana a forma como está sendo tratada a população, sem nenhuma conversa. Inclusive, nós questionamos essa questão e nos foi dito que a prefeitura vai cumprir simplesmente a orientação do prefeito e, amanhã, às três horas da tarde, serão atribuídas as aulas a esses professores”, questionou Rai de Almeida ao justificar seu voto.

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