Agosto Lilás: transformando denúncia em proteção e silêncio em voz
O mês de agosto, em Piracicaba e em todo o Brasil, transformou-se em um símbolo de resistência e luta das mulheres. Instituído como Agosto Lilás, o período reforça a importância do autocuidado, da preservação da vida feminina e da atenção aos direitos das mulheres. Mais do que uma campanha, trata-se de um chamado à sociedade: denunciar todos os tipos de violência contra a mulher e assegurar proteção legal e social a elas.
Nesse sentido, vale lembrar que a violência contra a mulher vai muito além das agressões físicas – podendo ela se manifestar por meio de controle sobre decisões pessoais, manipulação psicológica, destruição de pertences ou coação. Muitas vezes, as vítimas se silenciam ou se culpam, mas é fundamental destacar que a responsabilidade nunca é da mulher – e sim do agressor. Reconhecer essa violência e buscar apoio é o primeiro passo para interromper o ciclo de abusos. Por isso, busque ajuda.
Os números mais recentes relativos à violência contra a mulher revelam a gravidade do problema. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, o Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024, número recorde desde a tipificação do crime em 2015. Em 80% dos casos, os autores foram companheiros ou ex-companheiros, e 64% os crimes ocorreram dentro da própria residência familiar. Também chama atenção o recorte racial: 64% das mulheres vítimas de violência eram mulheres negras.
Ainda segundo o Anuário, 87.545 estupros foram registrados em 2024 – o maior número já contabilizado na série histórica. Entre eles, 76,8% das vítimas eram meninas de até 14 anos, o que caracteriza – ainda – o estupro de vulnerável. Horrendos e alarmantes, esses dados evidenciam a urgência de medidas eficazes de prevenção e proteção à violência contra a mulher. Afinal, e diante de números tão impactantes, não podemos nos esquecer que, de maneira geral, ainda há uma subnotificação de tantos e tantos casos.
Na tentativa de combater a violência contra a mulher, o mês de agosto foi escolhido como marco ou símbolo desse combate – e tal escolha se deu em homenagem à Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), sancionada em 7 de agosto de 2006. A legislação é considerada um marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar no Brasil – uma vez que prevê medidas protetivas, responsabiliza os agressores e fortalece a rede de atendimento (que inclui delegacias especializadas, centros de referência e serviços de acolhimento).
Em Piracicaba, o Agosto Lilás é marcado por palestras, debates e ações de conscientização. Na Câmara Municipal, a Procuradora Especial da Mulher na Câmara – presidida por esta vereadora – desenvolve também uma série de atividades e ações que visam divulgar a proposta do Agosto Lilás e combater a violência contra a mulher – participando, ainda, de ações coordenadas junto à Rede Prevenção, Atendimento e Proteção à Mulher e ao Conselho Municipal da Mulher. Sempre buscando levar a todas e todos a ideia de que é preciso romper o silêncio e denunciar todo tipo de violência contra a mulher.
Afinal, romper o silêncio é o primeiro passo para garantir segurança, liberdade e justiça. E o Agosto Lilás nos lembra que a luta contra a violência é coletiva: toda mulher tem direito a viver sem medo. Não se cale!