100 Dias de Governo: nada de novo no front
Findos os cem primeiros dias da gestão do prefeito Hélio Zanatta, o que se pode depreender de seu governo – em síntese – é que não há nele nada de novo. O resumo do que até que se viu é similar – se não pior – ao que até aqui se via. Falta perspectiva, faltam projetos, falta arrojo, perspicácia, conhecimento. Falta pensar a cidade e desenrolar seu presente com vistas ao futuro e de olho em seu imenso potencial.
Ao menos ainda até aqui, o senhor prefeito não deu sinais sobre quais são os planos estratégicos de sua gestão para o desenvolvimento econômico do município. Levando-se em consideração questões socioambientais e mobilidade, por exemplo, a cidade continua “parada” como no passado, com um trânsito cada vez pior. Também não há sinais sobre a melhoria no modelo de transporte público ou ainda – pensando-se agora na área da habitação – sobre como lidar com os 50% dos vazios urbanos que encarecem a cidade e “jogam” investimentos de habitação popular para a franja da zona urbana.
O capital intelectual na área da ciência, tecnologia e inovação necessita do cumprimento de seu Plano Diretor, atualizado de forma conjunta pelo Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e o Fórum Permanente sobre Inovação, Ciência e Tecnologia da Câmara. O marco legal do setor é velho, afasta investimentos e acaba exportando talentos que poderiam desenvolver empresas e startups em nosso município. Diante desse cenário, pergunte-se: qual é a política pública da gestão na área?
Na educação e na cultura a pergunta ainda é a mesma: quais políticas públicas vêm sendo desenvolvidas? O Executivo também não deu sinais sobre o que pensa em relação às políticas relacionadas às mulheres. Nesse quesito, desde o início dessa gestão esta vereadora está tentando marcar uma reunião da Rede de Prevenção, Atendimento e Proteção à Mulher com o senhor prefeito para saber dele quais são suas propostas sobre esse campo. Nada. O senhor prefeito Hélio Zanatta até o momento não nos recebeu. Ora. Teme nos ouvir? Ou a questão seria não ter nada a nos apresentar?
Para piorar, a reforma administrativa colocada em marcha no início do ano é igualmente inoperante, equivocada e revela desconhecimento sobre como funciona a máquina pública local e a cidade em si. As alterações feitas extinguiram cargos e funções elementares, além de terem criado cargos “questionáveis” – que não encontram efetividade na vida prática do funcionalismo – alguns com salários expressivos. Nesse sentido, cabe destacar ainda a invenção do cargo de AAA – o “assessor de ampla assistência” – uma espécie de faz tudo que acaba, no final das contas, sem saber o que deve (e precisa) fazer.
O senhor prefeito já governou duas cidades muito menores. Mas a realidade aqui é diferente. A verdade é que o que funciona em municípios pequenos pode não ser eficaz para os desafios enfrentados por cidades como Piracicaba. Governar um município do tamanho e da importância do nosso é um desafio que exige planejamento e articulação com todos os setores da sociedade. Não cabe a enrolação.